Já com a coluna escrita, revisada e pronta para ir à impressão, leio o relato de um pai que veio ao mundo. Inusitado, divertido e emocionante. Cai aquele incômodo cisco no olho e concluo que tenho algo interessante a oferecer aos nossos leitores neste fim de semana.
A história de famílias que se renovam com a adoção
Abaixo, segue o depoimento do pai de primeira viagem, o jornalista Homero Pivotto Jr. Ele trabalhou com a gente aqui no Diário de Santa Maria há alguns anos, como repórter, e hoje empresta o seu talento a uma agência de conteúdo na Capital.
Sempre que falávamos sobre filhos, o Homero dizia que não se imaginava pai. Mas quando chega a hora, é essa inspiração toda a nos presentear. Bem-vindo, Benjamin! Felicidades ao Homero, à mamãe Graciele Vargas, aos avós que moram em Santa Maria: Sarita, Marlene e Luiz Cândido – e a todos familiares do Ben.
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Impressões de um pai de Ben – Por Homero Pivotto Jr.
Inspirado pelo quadro ¿Impressões Malukas¿, no qual Marcel Bittencourt relatou algumas constatações sobre cidades que visitou mundo afora, resolvi fazer algo parecido. É o relato de um pai de primeira viagem em seu primeiro dia na função prática de progenitor. A ver:
Já dizia Tim Maia (em uma frase que não sei se é de sua autoria): quem não dança segura a criança. Ou: se não ajuda, não estorva, como diria o finado véio Homero (que completaria 84 primaveras neste 3 de junho).
Pra vc, que paga vale de malvado, mas que, como eu, tem nojinho de ver sangue de verdade na mesa de operações: fique tranquilo e não deixe de estar no parto do seu filho. Todo o procedimento é feito atrás de uma espécie de cortina colocada na altura do seio da gestante que está na maca. Assim, pode-se só avistar a cria quando ela chega ao mundo sem visualizar o resto da nojeira envolvida no processo. É um procedimento comum esse isolamento, mas eu só descobri há pouco, e acredito que outros idiotas possam não saber.
Ainda sobre o item anterior: o nervosismo é tanto, que a gente nem lembra de ter acesso de frescura. Além do mais, a equipe orienta, antes se entrar na sala de parto, para onde olhar e evitar alguma cena desconfortável.
Mulheres são seres infinitamente superiores. Elas têm capacidade de gerar e carregar um ser humano por meses. E o nascimento, seja parto normal ou cesárea, não é algo que um homem aguentaria com tanta desenvoltura.

Mulheres realizam a magnitude da gravidez desde o dia em que o teste de farmácia dá positivo. A partir dali, elas sabem que tudo vai mudar pro resto da vida. Os pais costumam perceber isso quando enxergam os pequenos e pensam: agora f* (a colunista faz um intervenção no texto do colega) de vez! E é sensacional essa f* (a colunista intervém só mais dessa vez).
Recém-nascidos são criaturas molengas e frágeis. Ao mesmo tempo, podem ser bem mais fortes do que aparentam. Não tenha medo de lidar com eles.
– Olhar um filho no olho é tipo um coice nas partes, só que bom.
É desconcertante e assustador se reconhecer em outra criatura, tanto estética quanto comportamentalmente. Perceber isso é uma experiência que te faz refletir so"